Chove chuva, chove sem parar...

Aqui em Belém, quando criança, umas das primeiras 'ordens' a ouvir, tem a ver com a chuva.
A chuva vem longe e junto, uma voz autoritária que diz: 'menina, fecha a janela, que está chovendo!'.
Lá ia eu, contrariada fechar as janelas. Sempre apreciei o espetáculo das águas. O cair da chuva, a química que rola entre ela (a chuva) e a terra molhada, um perfume sem igual. Ficava por trás da janela, afinal, quando se é criança, a alternativa é obedecer ou obedecer.

A gente cresce, e passa a ser desobediente, hoje posso decidir se fecho ou não as minhas janelas. Poucas vezes me arrependo de tanta liberdade. É, já tive tapete da sala ensopado, cozinha encharcada em muitas ocasiões. No quarto, a chuva lavou lençois e colchão ao mesmo tempo. Mas tudo isso passa, porque o bom da chuva são os seus encantos.

Da sacada do meu quarto, vejo a chuva se formando longe. Não sou meteorologista, sou uma paraense que acerta com alguns minutos de antecedência, a intensidade da minha amiga chuva.

A nossa chuva tem charme, se é dia, nota-se as nuvens escurecendo. Se é noite, o céu vai ficando branco. Se começar a ventar muito, a chuva é quase nada. Os mais velhos diziam que a chuva era levada pra outro lugar pelo vento (que maldade!), só sei que o espetáculo é fantástico. E o tempo fica agradabilíssimo depois.

Gosto de ver a chuva caindo, mesmo muitas vezes, tendo a sensação de que a casa vai desabar, tão forte é o vento que chega junto com ela. Fica tudo branco. A paisagem da mangueirosa desaparece. Só escuto a chuva impiedosa. Logo, sem esperar o vento pára, a chuva diminui rapidamente. O céu se abre e eis que a cidade lavada parece ganhar nova vida. E minha alma também. 

Belém tá assim, como não temos estações com datas certas, me contento com o tempo de menos sol, de dias nublados e de muita chuva. Algumas vezes, confesso, que é tanta água, que chego a pedir a Deus por uma manhã ensolarada, para que pelo menos as roupas sequem. E que eu saia da cama com menos preguiça.

É meio exagero dizer que a nossa estação agora é do inverno, mas eu cresci ouvindo que essa época do ano é de muita chuva, então
a palavra inverno, é mais poética, e nós dá a sensação de intimidade com a natureza.
Só sei que o melhor dessa época é a chuva, não a nossa chuva das duas, mas a chuva que lava a alma. E seja qual for, a melhor coisa a fazer é deixar a janela aberta. Se molhar, a gente enxuga.

Chove chuvaaaa, chove sem paraaaarrr...

Crys

Escrito por Crys às 16:16:40


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Amanhã é o dia pra ME comemorar, ME festejar, Me beber depurada em copo cheio.
Cada vez mais autêntica, mais "eu", mais inversa, intra-ocular.
Pra alguns, o dia do aniversário é como outro qualquer. Pra mim não.
É um dia ímpar, afinal, quantas de mim nasceram naquela tarde de 27 de janeiro no mundo?
Quantos possuem o dom da vida? Sim, muitos vivem, mas quantos têm o verdadeiro dom pra coisa?
Nasci com um caminho a seguir, com uma causa e um efeito.
Pretenciosa, eu? Mas quando, esperta!
Chego até aqui com os amigos que eu sempre sonhei em ter.
Chego com muita paz impregnada na pele.
Chego com grande parte da memória aproveitada, absorvendo e devorando tudo o que cruzar o meu caminho.
Chego até aqui com cicatrizes curadas. Prontas pra outras.
Completo mais um ano com a certeza de que acertei mais do que errei.
Com a certeza de que construí um caráter do qual tenho muito orgulho, metade herança genética, outra metade livre arbítrio.
Chego até aqui sorrindo o mesmo sorriso dos meus 5 aninhos, com o mesmo jeitinho moleca dos meus 10 anos, com a mesma euforia e empolgação dos meus 15 anos.
Trago comigo a mesma  inconsequência e loucura dos 20 anos e a mesma ou mais maturidade e serenidade dos 25.
Dos 30, 40 em diante... to contabilizando, não interessa muito por enquanto.
Só sei que, desde que eu me tornei uma (como diz o meu amigo Gabriel) balzaquiana, me sinto cada vez mais maravilhosa e amada! Quer melhor presente que esse???

Agora, pára de entrar aqui sem dizer nada, diz pelo menos 'Parabéns pra vc!'
Ah tá, obrigada! rsrs

CRYS

Quem diria, quem diria
Que este dia chegaria?
Pois chegou todo sorriso!
Trazendo na intimidade
Uma explosão de magia
Uma peça fundamental
Um naco de um povo
De se tirar o chapéu.
Sufragada por amigos
Ciumentos ou não
Barulhentos com certeza
Todos gritam e têm razão.
É linda, é fofa é água de beber,
É ímpar, tem sal, é sem igual,
É doce, puramente tropical.
Sem concorrente, nem gêmea tem,
Ninguém lhe pega no pé!
Irreverente, inconseqüente
Nada tem de indecente, é gente.
É Amazona, guerreira descendente!
Fala baixo e pensa alto, sem freio,
Para o que der e vier.
E no atropelo de seus escritos
Sucumbe a si, sucumbe a nós
Mulheres e homens... em êxtase
Sem pejo de declarar.../
A graça do seu existir.

**Naturalmente com beijos, Dácio Jaegger

Tem carinho de amigos AQUI e AQUI TAMBÉM

Escrito por Crys às 14:06:20


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Nas curvas das estradas...

Pensamentos soltos, desconexos, buscam um foco mas se perdem na estrada. São pouco mais de setenta quilômetros de Mosqueiro (ilha do município de Belém, localizada ao norte da cidade) até Belém, a capital.
De lá pra cá, de cá pra lá, dirigindo, pensamentos da ida levam ansiedades, pensamentos da volta, sempre entrelaçam lembranças do que foi vivenciado naquele espaço de ilha onde vivi a maioria dos verões da minha vida.
A última vez que estive em Moka, (apelido carinhoso) a praia convidativa me fez mergulhar pra lavar as ziguiziras. Brindou-me com um lual no Farol (Barzinho muito bom) de dá inveja a qualquer um.
Dessa vez Moka me presenteou também com a companhia de amigos queridos da família trocinho (rsrsrs), além de muitos outros espíritos do bem.
Na volta, nas curvas da estrada, no escuro do fundo da noite, rolou no cd um som maravilhoso que saiu de Seu Jorge, enquanto tocava 'Tive razão', lembrei de um poema que eu amo, de Viviane Mosé, e que traduz um pouco do muito do meu ser, agora:

"acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo
na verdade faz tempo
mas eu escondia porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse:
tempo se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo de lá pra cá
ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando"
Viviane Mosé

Escrito por Crys às 20:54:38


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(foto flick)

Caro Edu*,
Eu não quero mais te entender,
Nem tão pouco gostar das tuas músicas.
Odeio teu cabelo desajeitado. Nem gosto dos teus abraços.
Não quero mais olhar tua cara, nem teu corpo.
Quero esquecer cada passo dado em minha direção.
Quero esquecer o teu molejo pra dançar comigo.
Quero rasgar a 3x4 dos 14 anos, que tá aqui em minha bolsa.
Que coisa feia esse teu andar, que se confunde com o de dançar.
Que jeito engraçado... não, não é nada engraçado! E pronto!
Não quero mais sacar o que tu tá pensando quando te olho.
Nem quero me divirtir quando imitas 'sotaque' de malandro só pra irritar d. Ana, sua mãe.
Não quero mais encostar e grudar pra sempre, nem me sentir confortável e segura até com o barulho do teu ronco.
Não quero mais entender tanto tuas incertezas, nem chorar baixinho no teu colo de dor e alegria e mesmo assim continuar com o tal conforto.
Eu definitivamente não quero mais morrer de rir das tuas piadas.
Não acho mais o teu jeito parecido com o meu, de qualquer coisa ou quando diz que qualquer lugar estar bom.
Nem quero ficar horas e horas rodando de loja em loja pra comprar um presente, que vc jura ser de outra pessoa, qdo na verdade é pra mim.
Pode parar de fazer as coisas serem perfeitas quando estão quebradas, silêncio quando há tantos barulhos.
Não pulo mais contigo muros estreitos, porque eu me machuco e vc ainda diz: 'pô mas tu é lesa mesmo'.
Sabe de uma coisa, vou deixar a última cerveja quente pra você.
Não precisa ser tão bom com as pessoas que gostam de mim, mesmo você não gostando delas.
E por favor, pára de olhar pra mim sempre, exatamente do mesmo jeito que foi a primeira vez quando íamos pra aula.
A partir de agora, só quero guardar a figura tão jovial, uma figura que vai diluir em saudades, uma saudade tão concreta que se espalhará dentro de cada um que aprendeu a te amar.
Nesta mensagem vai o beijo que não foi dado, o abraço que ficou para depois, o sorriso que ficou pendurado nos lábios, o afago que o cansaço não permitiu... Mas a certeza da minha ternura e da minha eterna amizade!

Ro

*Amigos vem e vão e quando não são as circunstâncias cotidianas que os levam, é a própria morte.. Ou seja, não existem muitas alternativas. Mais cedo ou mais tarde as diferenças se revelam e resta apenas o que é importante, ou não resta nada.

Escrito por Crys às 23:50:49


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BRASIL , Norte , BELEM , Mulher





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